Tu tens um medo
"Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno".
in Cânticos
Retrato
"Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?"
A primeira vez que li Cecília Meireles foram esses versos, admito que tive medo, muito medo de sentir o significado dessas palavras na minha carne. Enfim chegou o dia daquelas letras tão amargas me atingirem na vida real, me vi nelas, dentro delas, e chorei, até a dor deixar de ser eterna. Então entendi que as palavras eram amargas, mas seu resultado poderia ser doce, tudo dependia da minha paciência.
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