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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

versinhos infantis...

Eu tive uma boneca "POEMINHA", era linda, grande, quase da minha altura na época rsrsrsr, eu apertava sua barriguinha e ela declamava versinhos conhecidos como "batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão...", inspirada nela e na minha linda bonequinha de carne e osso "Giulia", estou escrevendo versinhos infantis, é realmente muito gostoso, te remete à infância porque pra escrever vc tem que pensar criança, tem que relembrar, sentir o gosto, o cheiro, o riso, a bronca, a inocencia. Os dois que mais gostei to botando no papel, :P

"POP, A PIPOCA

A pipoca vem do milho
Plantado com carinho
Num campo bem verdinho
Contou o pai pro filho

A semente é debulhada
Tão amarelinha
Mas é dura sim senhor
Vai pro bico da galinha

Milho do bom
Vai direto pra panela
Pula pula vira pipoca
Sai voando pela janela

Tem pipoca no parque
E também na pracinha
Não falta no cinema
Bem cheirosa e branquinha

Para os moleques sabidos
Da cidade e da roça
Pipocam saquinhos coloridos
Enfeitando a carroça

Tão sozinha despercebida
Lá no fundo da pipoqueira
Pop a pipoca está escondida
Já não pula faceira

Não há pipoca que não valha
Pergunte ao passarinho
Ele pega a migalha
Voa direto para o ninho

O filhote logo pia
Pula pula de alegria
Lá vem pop a pipoquinha
Encher a sua barriguinha

Roda roda a manivela
Pula Pop a pipoquinha
Tem pipoca na panela
Estourando bem quentinha (Patricia Sabadini)"

"A GIRAFA BRANCA COM LISTRINHAS PRETAS

UM BELO DIA NA SELVA NASCEU UMA GIRAFINHA
ERA BRANCA COM LISTRINHAS PRETAS
IMAGINE O SUSTO DA MAMÃE GIRAFA
QUANDO VIU SUA FILHOTINHA

SERIA UMA MISTURA DE ZEBRA COM GIRAFA?
UMA ZERAFA
OU UMA GIREBRA
ESTAVA FEITA A ALGAZARRA

IMAGINE SE A MODA PEGA
ZOMBAVA O ELEFANTE
JÁ OLHANDO TENEBROSO
PARA A RINOCERONTE

UMA TROMBA NO GIBÃO
BRADAVA ALTO O HIPOPÓTAMO
QUERIA OS CHIFRES DO GNU
OU A JUBA DO LEÃO

AS HIENAS RIAM DE TUDO
QUE GRANDE SATISFAÇÃO
CORRER COMO O LEOPARDO
DESCOLORIR O CAMALEÃO

A GIRAFINHA FOI CRESCENDO
E SE DESFEZ A CONFUSÃO
O QUE ERA BRANCO FICOU AMARELO
MANCHADINHO DE MARROM (PATRICIA SABADINI)".

domingo, 15 de maio de 2011

o sonho do livro

Estou sem escrever no blog há algumas semanas, duas são as razões: Giulia com uma baita crise de bronquite e meu amado livro que está tomando forma lentamente, a ideia prontinha na cabeça, inclusive o final, o enredo todo, ja escrevi cinco capítulos, claro que ainda farei inumeras revisões junto com a minha mana Paula, um misto de professora de portugues, critica, editora e fã. Eu sei que são muitos atributos de responsabilidade e até controversos, mas ela dá conta. Se ela diz que eu tenho criatividade e talento eu acredito, se ela diz que se emocionou acredito tb, e se ela me olha com aquela cara feia e pergunta onde eu estava nas aulas de pontuação e concordância, eu digo no banheiro da escola fazendo fofoca e fumando. A única coisa que me conforta é que já li várias entrevistas de autores consagrados que confessam não terem sido grandes gênios nas aulas de portugues, por outro lado, mandavam brasa na redação. 
Obviamente não sou consagrada, gênia, nem mesmo fui publicada (ainda!!!), mas tudo que eu quero no momento é mandar brasa, que os gigantes da literatura brasileira digam amém e meu sonho aconteça! 

domingo, 1 de maio de 2011

O bullying


Já deu pra perceber que o nosso blog é do tipo “light”, ultimamente você abre uma página na net e lá vem uma enxurrada de lágrimas, não queria ser mais uma a escrever tragédias, sou uma adepta da tragicomédia, prefiro a forma branda, leve, achar algo bonito dentro do sofrimento, ver o outro lado da moeda, porque as dores existem e fazem parte da vida, com elas geralmente aprendemos. Acontece que depois de tanto ler sobre o tal bullying (e ler tanta besteira!) me senti obrigada a expressar minha modesta opinião.
  
O Bullying

Concordo plenamente que "piadinhas, chacotas", nos tempos da escola podem até ser consideradas normais e típicas do comportamento infanto-juvenil e que existem desde que o mundo é mundo. O problema e o perigo são quando as vítimas, (SIM, as pessoas que sofrem esse tipo de preconceito são vítimas), não são apenas os esquisitões, gordos, que usam óculos, aparelho, feios, nerds, e sim quando as pessoas que sofrem bullying têm algum tipo de distúrbio psíquico, como no caso do cara de Realengo, e ninguém foi capaz de detectar o preconceito e a doença para talvez evitar a tragédia. Nem todos os esquizofrênicos cometem assassinato é verdade, mas um esquizofrênico violento que sofreu bullying é um potencial “serial-killer”, perguntem a qualquer psiquiatra.
Também temos que observar a coisa por outro perfil, daqueles que são tímidos, ou dos que tem alguma deficiência física, esses possuem plena capacidade mental, mas qual o efeito do bullying nessas pessoas? É muito fácil dizer sofri bully, mas tirei de letra, ok, parabéns você é uma pessoa de personalidade, e os que não são assim? Os que não enfrentam? Os que sofrem? Os que se deprimem? Os que têm barreiras? Esses são as verdadeiras vítimas, aqueles que os algozes procuram, esses não vão esquecer tão cedo.
Uma pessoa que conheço tem deficiência auditiva, é uma garota bonita, inteligentíssima, mas sofreu bullying, era chamada de esquisita, surda, e como era um poço de timidez, não tirava de letra, sofria, e demorou tempos pra se aceitar, e finalmente se ver como uma pessoa normal.
Li blogs que citaram o caso da Geyse Arruda, desculpe, mas na minha modesta opinião aquilo não foi um bullying, foi um episódio esporádico em que foi manipulada toda uma situação de forma polêmica (não disse aqui certa ou errada e sim polêmica) para levar vantagem, e a mídia adorou.
Gente, é preciso separar o joio do trigo, é preciso estar atento, é preciso se informar.
Porque a novidade que realmente importa aqui não é a denominação do problema, e adivinhem com uma palavra inglesa, não são os fatos, não é a sua exploração pela mídia. É imprescindível tornar oficial o preconceito e fazer um alerta: o bullying numa fase, geralmente, tão imatura e instável da vida PODE transformar personalidades, influenciar destinos e destruir seres humanos.      

sábado, 30 de abril de 2011

Frase do dia!

"O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".
                       Luís Fernando Veríssimo

Paulo Sérgio sem lesco-lesco

Carioca da gema e tricolor de coração poderiam ser os atributos que melhor definiriam o Paulão, porque, realmente, ele ama o Rio de Janeiro e idolatra o Fluminense: quer um exemplo atual? Ele detesta cinema; dorme nos filmes, sentado na poltrona parece ter um comichão nos fundilhos, mas foi ver “Rio”, e veja só, saiu animado com o desenho, vindo a reclamar horas depois pra não perder o hábito.
Outra característica do Paulo Sérrrrgio, como diria sua esposa puxando bem o “erre” em seu melhor tom sarcástico, é o elevado nível de estresse que dele emana por pequenas coisas, grandes coisas, ou coisa nenhuma, ou seja, por tudo aquilo que ele não esteja a fim no momento e que o aborreça. Não se trata de uma mania ou hábito, é mais um fator genético dos homens da Família Correia Ferreira.
Para aturar o chilique e baixar a bola do Paulinho só mesmo a Dona Léia e seus inúmeros atributos físicos e psicológicos, mais psicológicos do que físicos, e não pense que os atributos físicos não são atraentes, é que ela prefere usá-los como a última cartada do baralho.
Você deve estar pensando, esse cara deve ser um chato; bom, é sim, mas antes de tudo ele é um grande coração, incapaz de dizer não, briga e meia hora depois já tá arrependido de verdade, acredita em todo mundo e principalmente no que todo mundo fala, curte aqueles momentos bem família, comemora TODAS as datas festivas, nunca esquece um aniversário e faz os cartões mais sentimentais e bem escritos do mundo.

Não poderia deixar de citar as suas expressões, algumas inventadas por ele, outras do arco da velha, e todas cheias de humor:
- inheco-inheco barba de bode: expressão dita aos brados repetitivamente, geralmente é acompanhada de uma boa sessão de cócegas, até você pedir penico de tanto rir;
- cãopruzé: Fulana me traz o cãopruzé! Traduzindo: Fulana me traz o cotonete (cão) pros (pru) ouvidos (vidos, abreviando fica só zé);
- Pois é: apelido dado ao fusquinha velho do sogro Seu Dedé, ele falava, mas esse carro está caindo aos pedaços, e o Seu Dedé, respondia: pois é, né, pois é, né...
- Essa comida está uma minha mãe! Por quê? Tá umAdeliza!: Frase inspirada no nome de sua saudosa mae Dona Adeliza, a rainha dos quitutes portugueses, oras, pois, pois.
- lesco-lesco: significa enrolação: Beltrana você está de lesco-lesco;
ixi santa tomei duas fanta (...): É uma musiquinha que ele aprendeu na adolescência e canta até hoje, o final é impróprio para menores;
- ximbica da ximboroca: pode parecer, mas a expressão não tem sentido erótico, designa algo esquecido ou ignorado.
Pois é, o final não está umAdeliza, é que agora tem jogo do Flu e meu pai falou para eu parar de lesco-lesco, escrever essa ximbica da ximboroca depois e ir pra sala torcer, pra aproveitar e levar um cãopruzé, porque ele não quer deixar de ouvir nenhum lance, ixi santa, e agora? Não sei o que vai dar, só tem guaraná....

AO MESTRE CHIQUINHO COM CARINHO

Ah, a adolescência, minha época predileta, nela ainda somos tão inocentes, descobrindo o mundo; como os bebês, a diferença é que os primeiros se surpreendem com o novo e os maiores procuram não só entender e testar o desconhecido, mas principalmente contestar aquilo que vê, pra ter certeza de que é verdade e que os adultos não estão fazendo eles de bobos. Eu tenho uma teoria de que adolescente tem trauma de ser feito de bobo, porque desde criança muitos são enrolados com meias verdades e até mesmo as mentiras mais deslavadas, como por exemplo, isso não é uma cena de sexo, o rapaz está ajudando a mulher que está passando mal, não estamos brigando foi só a panela que escorregou da mão da mamãe e voou na cara do papai, o passarinho não morreu, ele só esta dormindo porque tomou um remedinho, Papai Noel trouxe um presente diferente porque os elfos fizeram greve.
Na escola não é muito diferente, não vou dizer aqui que são ditas mentiras, mas também não vejo muito esforço para a exposição da verdade, e o motivo para isso é que ela dá trabalho.
Dá trabalho explicar, dar exemplo, controlar a bagunça que provoca, qualquer que seja o tema polêmico, sexo, cultura, preconceito, violência, religião ou política.
Será que o tal do bullying estaria na mídia dessa forma se esses assuntos fossem mais bem abordados na escola? É fácil dar nome aos problemas, difícil é encontrar quem queira enfrentá-los.
Na minha adolescência tive o privilégio de ter um professor desse gabarito, ou melhor, um Capitão, o Chiquinho, mestre de História Geral, em um colégio do bairro do Méier/RJ.
Era a versão, com o perdão do trocadilho pré-histórica, desses palestrantes de cursinho que viraram febre na última década, que conseguem atrair milhares de alunos, aula via satélite e todo mundo vidrado na tela absorvendo cada palavra, os olhos brilhando.
Ele tinha quase um orgasmo sobre o tablado quando percebia que seus alunos estavam APRENDENDO e não DECORANDO.
Foi na época dos caras-pintadas, e o professor falava de tudo, passava filmes, o último deles: “Sociedade dos Poetas Mortos”, os alunos emocionados e ele gritando no final: "Carpe diem. Aproveitem o dia! Tornem suas vidas extraordinárias!"
Alguns dias depois, briga com a direção do colégio, ele taxado de ter ideias subversivas, que estava mudando o foco das aulas que eram “somente” de História Geral.
Não queriam nem deixa-lo se despedir da turma, mas ele entrou na sala, e nós os alunos já sabendo da humilhação, da substituição, subimos nas cadeiras e bradamos: - O Captain, my Captain! 
Até me arrepio de lembrar, uma emoção só e a certeza nos olhos dele de que valeu a pena.
Infelizmente, ele veio a falecer do coração, alguns dizem que foi do desgosto, eu prefiro pensar que lá em cima estavam precisando de uma alma com ideias subversivas, tipo: amor ao próximo, compaixão, respeito, liberdade, dignidade e por ai vai...
Meninos e Meninas do Brasil, carpe diem!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tudo aquilo que você um dia BOTA NO PAPEL e não pode deixar de lembrar!

ü     O seu nome;
ü     Os desenhos de sua infância;
ü     O que você adora;
ü     O que você detesta;
ü     Os seus amigos;
ü     O nome dos seus amores;
ü     As qualidades dele (a);
ü     Os defeitos dele (a);
ü     As suas qualidades;
ü     Os seus defeitos;
ü     Os prós;
ü     Os contras;
ü     As contas do mês;
ü     Os lugares a conhecer;
ü     A sua gratidão;
ü     A sua saudade;
ü     Quem você é;
ü     De onde você veio;
ü     Os seus sonhos;
ü     A sua realidade.


O OKONOMIYAKI PERDIDO

Já postei no blog sobre a minha infância, e das minhas irmãs, a bordo dos navios superpetroleiros que meu pai chefiava, só faltando acrescentar que na época, dos meus 06 aos 15 anos, fazíamos a rota Oriente e Oriente médio.
Esse trajeto aumentava, e muito, a magnitude da experiência, porque, convenhamos, há 28 anos (putz to ficando velha) o Brasil ainda vivia numa era pré-histórica, enquanto os nossos amigos de olhos puxados davam os primeiros passos rumo a tecnologia que vivenciamos hoje.
Imagine o que era para uma criança, do meu querido subúrbio do Rio de Janeiro, em meados da década de 80, “desembarcar” numa Tóquio cheia de neóns, arranha-céus, máquinas - tipos essas da coca-cola - que vendiam tudo o que você puder imaginar, (jornais, literalmente todo tipo de comida, bebida, biscoito, brinquedo), e ainda, trens-bala, jardins perfeitos, além da educação e limpeza ímpares nas ruas, quando ainda nem se falava em preservação ambiental.
Já se fazem algumas semanas que o tsunami devastou algumas cidades do meu querido japão, e como esse blog está recem-saído do forno, não poderia deixar de postar minhas melhores lembranças, assim como todo meu respeito e admiração pelo povo nipônico.
Sendo assim, não se assuste, por mais egoísta que pareça, passo a relatar o fato que mais marcou a minha infância no Japão,  que foi o episódio do OKONOMIYAKI¹ perdido, ou melhor, não comido.
Pois bem, todo viajante sabe que não há iguaria melhor do que a original, ou seja, a made in, a do lugar em que você esteja, seja Paris, Roma, Tóquio ou Bangladesh.
Imagine a cena, estávamos, um grupo grande, num delicioso restaurante, na companhia do famigerado Senhor papa-tudo, que não convém dizer o nome por educação, e pedimos cada um o seu prato.
Para meu desespero, tratava-se de um restaurante com brinquedoteca (sim, naquela época, ja existia no Japão), não resisti e parti para o meu mundo encantado de games, não antes de fazer meu pedido: um Okonomiyaki no capricho.
O tempo passa, as crianças brincam, os adultos se distraem, e escuto bem de longe:
- caramba, o trem já vai sair!!! Vamos embora!
Volto correndo pensando, tudo bem, não comi, embrulho e levo para viagem.
Me aproximo da mesa, ainda a tempo de ver minha refeição ser totalmente abocanhada, restando somente migalhas, daquelas que meu pai diz, não dariam nem pra preencher o buraco do dente.
Não chorei, diante da cara fuziladora da minha mãe, que não ia passar a vergonha de eu expor a gulodice do acompanhante esfomeado.
Fim da história, foi a nossa última viagem ao Japão, e quer saber? não me dou por vencida; qualquer dia desses volto lá, peço logo dois okonomiyaki, me empanturro e aproveito a ocasião para comemorar o alvorecer da terra do sol nascente, porque, acreditem, nada está perdido.  






¹Okonomi significa "o que você quer" ou "seu desejo," e yaki significa "grelhado" ou "frito" (ps. yakitori and yakisoba); sendo assim, o nome desse prato quer dizer "cozinhar aquilo de que você gosta, da maneira que você deseja". A mistura é feita com farinha, vegetais, água ou dashi, ovos e repolho picado, e usualmente contém ingredientes como cebola, carne (geralmente de porco ou bacon), polvo, lula, camarão, vegetais, kimchi, mochi ou queijo. O Okonomiyaki é associado geralmente como sendo um omelete, pizza, ou panqueca, e comumente referido como sendo a “pizza japonesa" ou como a “panqueca japonesa". Muitos restaurantes de okonomiyaki são no estilo faça você mesmo, onde os clientes fazem uma porção dos ingredientes, misturam e grelham em chapas quentes.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A MENINA QUE NÃO SABIA FRANCÊS

Desde seu nascimento havia algo diferente nela, seu nome era Cora, de coração, coragem, foi o pai, Seu João, que deu sua graça, ninguém sabia direito como tinha vingado, tão pequena e indefesa, os médicos disseram:
- Não se anime muito, é um passarinho, pode ser que dessa noite não passe.
A mãe, Dona Divina, nem quis ver, não podia aleitar, nem pegar no colo, ver pra que? Se apegar?
Isso não, já era a segunda, até hoje não conseguira esquecer o primeiro anjinho.
Foi pra casa, aquele chorinho contido dentro da alma, só, a bolsa vazia, deixou lá os cueiros e roupinhas pagão, melhor assim, serviria pra outra menina mais afortunada.
                                       Continua...

Frase do dia!

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento". Clarice Lispector

2 X Cecília

Tu tens um medo

"Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno".

                      in Cânticos

Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?"


A primeira vez que li Cecília Meireles foram esses versos, admito que tive medo, muito medo de sentir o significado dessas palavras na minha carne. Enfim chegou o dia daquelas letras tão amargas me atingirem na vida real, me vi nelas, dentro delas, e chorei, até a dor deixar de ser eterna. Então entendi que as palavras eram amargas, mas seu resultado poderia ser doce, tudo dependia da minha paciência.   

Só pra lembrar mais um cadinho do autor dos Fradinhos...

SE NÃO HOUVER FRUTOS
VALEU A BELEZA DAS FLORES
SE NÃO HOUVER FLORES
VALEU A SOMBRA DAS FOLHAS
SE NÃO HOUVER FOLHAS
VALEU A INTENÇÃO DA SEMENTE

terça-feira, 26 de abril de 2011

Despretensiosa mudança

“Despretensiosa mudança
Rugem velhos ventos
Mudam falas, paradigmas
Paraliso fico muda
Bruta ideia achada absurda
Rude não fiz o que pude
Despretensiosa mudança
Nada muda no mundo mundano
Somem números!
Somem lembranças!
Futuro incerto presente indeciso
Inundam ideias, mudar é preciso
Sumam números!
Sumam lembranças!
Despretensiosa mudança
Surgem novos ventos
Curam chagas, estigmas
Analiso resto nula
Furta a soma antiga é criada a augura
Mude há que se desnude
Novos números
Novas lembranças
Despretensiosa mudança”

                                Patrícia Sabadini

Para meu amor maior!

“Estou vivendo o melhor momento de minha vida, sou mãe da Giulia. Vê-la crescer, alimenta-la, presenciar seu desenvolvimento é maravilhoso, anoto cada novidade, o primeiro sorriso, que é diferente da primeira gargalhada, mas não menos bonito, os sons e barulhinhos inesquecíveis, a primeira arte, suas primeiras palavras, seus primeiros passos.
A verdade é que desde o seu nascimento sou mãe em primeiro lugar, aliás, quase que sou só mãe, realmente vivi a plenitude da maternidade com todos seus prós e contras, mas não me arrependo, nada melhor do que a sensação de dever cumprido. Se bem que a jornada está só começando.
Minha filha mudou meu modo de ver e viver a vida, o meu cotidiano, o meu trabalho, minhas prioridades, enfim, hoje vejo o mundo através dos olhos dela, aliás, quem me dera, são sublimes, são perfeitos, são azuis da cor do céu e do mar".

Para meu eterno e infinito amor, enquanto dure:

Paz Fumegante

"Meu bem amado
Sem você nada existirá
Marido, amante, amigo, namorado
É tudo, é hoje, e amanha o que será
Será falado sem precisar ser dito
Nos olhos, na boca, no cheiro e no tato
É divindade maior que um mito
Um amor que se sente de fato
Que cresce, queima e alivia
É paz fumegante
Num breve instante que já me sacia
Faz parte de mim seu corpo e alma
Será sempre assim
Ora enlouquece, noutra acalma"

Para meu primeiro amor:

O Ato

"Doce e belo amor, meu bem
Num momento me beija a boca
Frenético movimento de vai e vem
Me deixa muda, me deixa rouca
Além de ti não há ninguém
Que decifre a sensação louca
De me fazer ir mais além"

Coisas de Criança


Já que estou num início de blog nostalgico, nada melhor que essas duas musiquinhas escritas por nós, lê e vê se mudou alguma coisa em 20 anos...

Oh Baby
"Uou Uou oh baby
Uou Uou oh baby
Oh baby venha cá
Quero te conhecer
Vem aqui pertinho de mim
Que estou só
Oh baby pega na minha mão
Vamos cantar
Vamos ser amigos
Venha passear de barco
E na roda gigante
Ou ir num restaurante serve em qualquer lugar
Oh baby"
letra criada por Paula aos 7 anos

Hiroshima nunca mais
"Você que está ai na frente
E diz q tem muita coisa pra fazer
Eu quero um mundo diferente
Um mundo bom pra se viver
Sem violência
Não quero um mundo de aparência não
Sem violência
Não quero um mundo de aparência
Você que diz q nós somos o futuro
Juntaremos nossas forças pra derrubar todos os muros
Escute o que eu quero falar
O mundo eu quero mudar
Não quero um mundo de aparência, nem de violência
Hiroshima nunca mais
Quero um mundo de muita paz"

letra criada por Patricia aos 12 anos

Henfillllllll!!!

Esse texto é da Paula, mas confesso que sempre amei o que ela escreveu, concordo em gênero, número e grau, com tudinho! principalmente, a última parte, ai, ai. Então lá vai!

Olá! Hoje eu quero falar do Henfil. Bem, eu já o conhecia, não sei desde quando, mas conhecia tipo assim "de vista". Eu nem mesmo sabia como pronunciar o seu nome, não sei se eu dizia "Renfil" ou "Ênfil", como se fosse um nome inglês ou francês, sei lá. Nada disso! O Mineirinho juntou Hen de Henrique com fil de Filho, e pronto, Henfil! Lindo! Fui formalmente apresentada a essa pessoa brilhante quando estagiava na Biblioteca MM. Sempre gostei de ler, mas foi nesse 1 ano de contato quase que diário com os ratos que devorei centenas - isso mesmo, centenas - de livros.
Bom, vamos ao que interessa. Eu estava lá, no meio da poeira, da insuportável R., um dia normal enfim, e chegaram uns livros assim, bonitinhos, cheirosos (cheiro de livro novo é tudo de bom), capa colorida, cartuns em preto e branco, com um traço infantil, adulto, frágil, forte, inteligente, desconcertante. Ele não é artista, ele é jornalista! O maior jornalista de todos! Verdadeiro, sensível, solidário, humilde, um escrúpulo do cacete! Foi amor à primeira vista. Que humor, que alegria, que perspicácia,que audácia, que simplicidade, que originalidade! A Graúna, o Zeferino, o Fradim (ai, o top-top!), amo-os, são lindos, são fortes, expressivos, pulam pra lá e pra cá, são vivos!
Empolguei tanto que catei no computador lá da BMMM outros livros de henfil, eu tinha muita sede de Henfil! E desobri o "Diário de um Cucaracha", e ainda a versão especial para as mulheres hehehehe. (A versão normal tinha uma baratona na capa rsrs).
Orgasmos com esse livro viu. Altas risadas. São cartas que ele escreveu para os amigos, mãe (as melhores são as cartas pra mãe!), etc, quando ele estava nos states ralando e cuidando da hemofilia. Agora eu conto a parte que me dá um pouco de vergonha, mas ao mesmo tempo acho que mereço perdão. Surrupiei este livro da biblioteca.
Sim, sim, eu podia ter comprado um livro novinho, horrível roubar, ainda mais sendo pública a coisa, mas olha só que doido, eu queria aquele livro velho pra mim, amarelado, desgastado, sem capa (tinha 2 exemplares e eu peguei o mais surrado; além disso, em um ano trabalhando lá, não vi uma alma viva aparecer pra alugar esse livro. Agora, todo dia aparecia um querendo Aghata Christie, Sidney Sheldon, Paulo Coelho e livros de vestibular! Que m..! E o Henfil, Dostoievsky, meus outros amores, todos mofando nas prateleiras. Teia de aranha mesmo! Que desgosto!), onde que eu tava? Ah, então, este livro para mim era como se fossem as cartas datilografadas por ele, sacaram?
Pois é. Levei-o para casa, tratei com carinho... Já li e reli diversas vezes, e sempre dou gostosas risadas, sempre tem emoção! Cara, quando vc lê um livro mil e duzentas vezes e ainda dá gargalhadas, ainda se emociona, é porque o cara tem que ser muito foda mesmo! Juro que eu tinha vontade de ter nascido na mesma época, procurar o Henfil, e perguntar: "casa comigo? Não? Então deixa eu dar pra vc???"
Henfil, eu te amo!!!!
Gente, outro dia eu volto aqui e ponho um trecho do diário, acho que vão gostar. Por hoje é só, pessoal!

Era uma vez uma ideia, BOTA NO PAPEL!

Em Homenagem ao Papai e a Mamãe...

Participação da Mamãe:

A participação da mamãe na criação desse blog está em tudo o que ele representa, a começar pelo NOME, porque cada vez que falávamos para ela de uma das nossas ideias, ela vinha com aquela cara de quem acabara de ouvir a coisa mais fantástica do mundo e dizia, e diz até hoje, - BOTA NO PAPEL!!! Algumas vezes, a gente obedecia, noutras a coisa se perdia, mas a partir de agora mãe vou seguir seu conselho, ta aqui viu, não é papel, mas é blog e muita gente há de ver, te amo!

Participação do papai:

Sou a mais velha de três irmãs, Patrícia, Paula e Pámela, quando éramos crianças brincávamos de escolinha, até aí nenhuma novidade. O que torna isso realmente especial é o fato de que tínhamos todo o escritório de papai ao nosso dispor, incluindo as suas canetas, maços de papel ofício, o bom e velho papel carbono, a sua máquina de escrever, a escrivaninha que virava cabaninha, tudo isso a bordo de um enorme petroleiro.
Observávamos as estrelas em meio a uma imensidão de céu e mar, estudávamos os mapas e nos divertíamos com a descoberta de novas línguas e culturas.
Ai que saudade da nossa infância! Obrigada pai, te amamos!
Muitos gibis e filmes para passar o tempo, Turma da Mônica, clássicos Disney, A Noviça Rebelde, Fievel, Heidi e outros mais.
E depois muitos livros, O Morro dos Ventos Uivantes – o meu primeiro.
O dom da Paula para o traço desde os três anos.
Com o passar dos anos foram brotando e ficando para trás belas ideias, muitas delas não saíram do Era uma vez... vernissage, exposições, livros, sites... epa, e o tal do blog?
Agora sim, finalmente, tudo ficará exposto para quem quiser ver.

JÔ, aí vamos nós!
Era uma vez uma ideia, BOTA NO PAPEL!

Partes de Mim - crônica

“Sempre que pensei em escrever, me via dentro daqueles filmes americanos em uma paisagem bucólica numa linda casa de campo, datilografando uma pré-histórica máquina de escrever, apreciando os campos verdejantes através das brancas janelas de madeira, tomando uma xícara de café e tragando um famigerado cigarro, essa parte agora tem que ser re-imaginada porque parei de fumar faz uns seis meses, se não me engano, ate parei de contar.
Parei de fumar por amor a uma criaturinha de quase um metro de altura que sofre de uma baita rinite alérgica.
Nos meus dias mais inspirados pensava em outra paisagem – uma casa na praia, isto porque a praia tem um papel fundamental nos meus pensamentos de escritora bem sucedida, neles estava sempre acompanhada do meu grande amor, sabe aquele que a gente não reconhece que é “o cara”, mas que no decorrer da historia nos damos conta que estamos completamente apaixonados.
Porque grande amor tem que ser assim, sem essa de amor à primeira vista que isso não funciona, você tem que primeiro detestar o sujeito, achar ele brega, cafona, ridículo, pretensioso, apesar de sentir um frisson quando ele te toca em qualquer parte do seu corpo, e pensar confusa o que é isso: tesão? Não!!!, deve ser só asco.
E bem tola fazer questão de falar em alto e bom som para seus amigos, o quê? Eu? A fim Dele? hahaha, faça-me rir!!!!
Pois é, num dos poucos momentos de grande paixão na minha vida essa sensação esteve presente, até a risada mal ensaiada, para enfim a praia figurar no meu cine privé, rolando aquelas cenas de correr na areia, desenhar um coração e escrever os nossos nomes e deixar a onda apagar... E se amar no fim de tarde e rir muito de tudo e de nada.
E depois, quando a euforia passou e chegou a dor, escrever só o nome dele na areia e deixar a onda levar pra ver se apaga da memória, mas não apaga, pelo menos não imediatamente, na verdade quando posso faço isso ate hoje, com o mesmo nome, e ainda lembro e dói.
Lembrar é bom, penso que horrível seria não ter do que se lembrar.
Aliás, será que alguém sabe o momento em que as lembranças passam a não doer? Às vezes é uma dor boa, aquela dor da saudade, tipo chocolate meio amargo, é ruim, mas é bom.
E quando as lembranças trazem aquela dor que corrói, que machuca, será que tem remédio? Aí sim, gosto totalmente amargo, dor sabor egoísmo ou orgulho, ou um mix dos dois.
E to aqui escrevendo, não to numa praia, nem no campo, to no meu modesto apê, com um bebe lá na cama me esperando, minha cria, minha vida.
Fechei meus olhos e vi uma linda casa de campo, folhas brancas sobre a escrivaninha, adoro móveis antigos, decoração é realmente uma arte, mesclar peças anos 30 com o tal minimalismo atual deve ser uma tarefa instigante.
Porque será que não me sinto assim com os rumos da minha própria existência, preservar o velho, o passado, o aprendizado e dar boas vindas ao novo, ao simples, ao natural, ao instintivo.
A casa de campo combina com essa fase? Sim, mas eu não tenho a casa de campo, penso em montá-la com as varias peçinhas de lego espalhadas pela casa, criar meu refúgio, com o mínimo de dor possível.
Vai mulher pula, grita, age, assuma seus sonhos, seus delírios, diz essa voz que fala aqui dentro incessantemente.
Cadê a menina que canta e encanta, parei de fumar será que a voz continua a mesma, mas porque preciso de voz para cantar, eu quero é escrever, a voz sai daqui de dentro, rasga o peito e flui.
Quem sabe se eu criar coragem pra escrever, depois de tudo isso, se eu me livrar dos pesos, das dores, eu passe viver meus dias mais inspirados, andando na praia, e quem sabe, escrevendo um novo nome, cantando e sorrindo, mas bem longe das ondas para que elas não apaguem essas novas lembranças”.