Já postei no blog sobre a minha infância, e das minhas irmãs, a bordo dos navios superpetroleiros que meu pai chefiava, só faltando acrescentar que na época, dos meus 06 aos 15 anos, fazíamos a rota Oriente e Oriente médio.
Esse trajeto aumentava, e muito, a magnitude da experiência, porque, convenhamos, há 28 anos (putz to ficando velha) o Brasil ainda vivia numa era pré-histórica, enquanto os nossos amigos de olhos puxados davam os primeiros passos rumo a tecnologia que vivenciamos hoje.
Imagine o que era para uma criança, do meu querido subúrbio do Rio de Janeiro, em meados da década de 80, “desembarcar” numa Tóquio cheia de neóns, arranha-céus, máquinas - tipos essas da coca-cola - que vendiam tudo o que você puder imaginar, (jornais, literalmente todo tipo de comida, bebida, biscoito, brinquedo), e ainda, trens-bala, jardins perfeitos, além da educação e limpeza ímpares nas ruas, quando ainda nem se falava em preservação ambiental.
Já se fazem algumas semanas que o tsunami devastou algumas cidades do meu querido japão, e como esse blog está recem-saído do forno, não poderia deixar de postar minhas melhores lembranças, assim como todo meu respeito e admiração pelo povo nipônico.
Sendo assim, não se assuste, por mais egoísta que pareça, passo a relatar o fato que mais marcou a minha infância no Japão, que foi o episódio do OKONOMIYAKI¹ perdido, ou melhor, não comido.
Pois bem, todo viajante sabe que não há iguaria melhor do que a original, ou seja, a made in, a do lugar em que você esteja, seja Paris, Roma, Tóquio ou Bangladesh.
Imagine a cena, estávamos, um grupo grande, num delicioso restaurante, na companhia do famigerado Senhor papa-tudo, que não convém dizer o nome por educação, e pedimos cada um o seu prato.
Para meu desespero, tratava-se de um restaurante com brinquedoteca (sim, naquela época, ja existia no Japão), não resisti e parti para o meu mundo encantado de games, não antes de fazer meu pedido: um Okonomiyaki no capricho.
O tempo passa, as crianças brincam, os adultos se distraem, e escuto bem de longe:
- caramba, o trem já vai sair!!! Vamos embora!
Volto correndo pensando, tudo bem, não comi, embrulho e levo para viagem.
Me aproximo da mesa, ainda a tempo de ver minha refeição ser totalmente abocanhada, restando somente migalhas, daquelas que meu pai diz, não dariam nem pra preencher o buraco do dente.
Não chorei, diante da cara fuziladora da minha mãe, que não ia passar a vergonha de eu expor a gulodice do acompanhante esfomeado.
Fim da história, foi a nossa última viagem ao Japão, e quer saber? não me dou por vencida; qualquer dia desses volto lá, peço logo dois okonomiyaki, me empanturro e aproveito a ocasião para comemorar o alvorecer da terra do sol nascente, porque, acreditem, nada está perdido.
¹Okonomi significa "o que você quer" ou "seu desejo," e yaki significa "grelhado" ou "frito" (ps. yakitori and yakisoba); sendo assim, o nome desse prato quer dizer "cozinhar aquilo de que você gosta, da maneira que você deseja". A mistura é feita com farinha, vegetais, água ou dashi, ovos e repolho picado, e usualmente contém ingredientes como cebola, carne (geralmente de porco ou bacon), polvo, lula, camarão, vegetais, kimchi, mochi ou queijo. O Okonomiyaki é associado geralmente como sendo um omelete, pizza, ou panqueca, e comumente referido como sendo a “pizza japonesa" ou como a “panqueca japonesa". Muitos restaurantes de okonomiyaki são no estilo faça você mesmo, onde os clientes fazem uma porção dos ingredientes, misturam e grelham em chapas quentes.
Amei! Deu uma saudade daquela época....
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